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14/09/2026
Na TMC, Curi critica polarização e diz que Senado precisa voltar a discutir problemas do país
Na TMC, Curi critica polarização e diz que Senado precisa voltar a discutir problemas do país
Candidato defendeu foco em segurança, infraestrutura e economia, apresentou propostas para o STF e criticou ausência do Paraná em decisões importantes em Brasília
O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) criticou a polarização política e defendeu uma atuação voltada a resultados durante sabatina da TMC Paraná, nesta segunda-feira (14).

Ao longo da entrevista, Curi afirmou que pretende levar para Brasília um modelo baseado no diálogo entre os poderes, sem deixar de assumir posições em temas como Supremo Tribunal Federal (STF), segurança pública e reforma tributária. “O Brasil precisa voltar a debater os temas importantes: segurança, educação, infraestrutura. Se você entrar numa sessão do Senado da República, é um lado tentando destruir o outro”, afirmou.

Curi usou a relação entre a Assembleia Legislativa e o Governo do Paraná como contraponto ao ambiente político nacional. Segundo ele, diferenças políticas não impediram a construção de uma agenda comum no Estado. “Essa política do ódio não resolve o problema da educação, não resolve o problema da saúde”, disse. “Eu sempre deixei muito claros meus princípios e valores, mas, para transformar uma cidade, tem que ser através de políticas públicas. Por isso eu não entro nessa polarização.”

“Menos Brasília, mais Paraná”

A crítica à polarização foi acompanhada de uma cobrança por maior atuação da bancada paranaense no Senado. Curi citou projetos de infraestrutura que dependem de decisões federais e voltou a defender a bandeira “Menos Brasília, mais Paraná”.

Entre os exemplos apresentados estão a Nova Ferroeste e o contorno ferroviário de Curitiba. A Assembleia chegou a aprovar requerimento dirigido ao governo federal, à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à Comissão de Infraestrutura do Senado pedindo a inclusão do contorno como investimento obrigatório na nova concessão da Malha Sul. “Curitiba não pode ficar mais 30 anos com um trem de carga dentro da capital”, afirmou Curi.

Para ele, a renovação da concessão representa uma oportunidade para incorporar o contorno ferroviário e novos investimentos na ligação do Oeste ao Porto de Paranaguá. “Esse investimento em ferrovia é fundamental. Nós precisamos fazer esse grande investimento, acabar com esse gargalo na Serra da Esperança e fazer um pacote de grandes investimentos”, disse.

A solução para a passagem das linhas férreas pela área urbana de Curitiba e a Nova Ferroeste também estão entre as propostas apresentadas oficialmente por Curi para um eventual mandato no Senado.

Segurança e STF
Na segurança pública, Curi defendeu penas mais duras para crimes violentos e disse ser favorável à redução da maioridade penal. Também afirmou que pretende discutir uma mudança constitucional que dê maior autonomia aos estados na legislação sobre temas penais.

Sobre a PEC da Segurança Pública, disse que passou a ver avanços no texto, mas defendeu maior discussão antes da votação. “Eu sou favorável inicialmente, mas acho que, antes de votar, ela tem que passar por audiências públicas, por um debate muito profundo sobre esse tema”, afirmou.

O candidato também apresentou propostas para alterar regras relacionadas ao STF. Entre elas estão restrições a decisões monocráticas, quarentena, transparência sobre palestras remuneradas, impedimentos para atuação de parentes de ministros e mudanças no modelo de indicação dos integrantes da Corte. “O discurso e a cobrança são importantes, mas precisamos agir na prática”, afirmou Curi. “Ninguém está acima da lei.”

Curi defende um modelo em que, das 11 cadeiras do Supremo, sete sejam destinadas a integrantes oriundos da magistratura, três tenham participação da Ordem dos Advogados do Brasil no processo de escolha e uma do Ministério Público Federal. A proposta de mudar o modelo de indicação já integra a agenda apresentada pelo candidato durante a campanha.

Reforma tributária e cooperativismo
Outro tema que ganhou espaço na sabatina foi a regulamentação da reforma tributária. Curi afirmou que pretende fazer dela uma das primeiras prioridades caso seja eleito e disse estar discutindo os efeitos das mudanças com representantes do setor produtivo e das cooperativas. “A primeira conversa que tive com as cooperativas e o setor produtivo mostra que, se for regulamentada como foi aprovada, prejudica fortemente o setor produtivo do Paraná, em especial as cooperativas”, afirmou.

A defesa de regras específicas que garantam segurança jurídica ao cooperativismo está entre as propostas oficiais da candidatura. Curi também já havia defendido publicamente que a regulamentação respeite as particularidades do ato cooperativo.

Questionado sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos, Curi se posicionou contra uma resposta baseada em retaliação comercial. “Essa briga com os Estados Unidos não interessa para o Brasil. Ela acaba prejudicando quem gera emprego, quem paga seus impostos. Então eu defendo o diálogo”, disse.

Curi defende redução da jornada com compensação às empresas
A redução da jornada de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1 também entraram na entrevista. Curi se declarou favorável à redução, mas condicionou a mudança à criação de mecanismos que diminuam o impacto sobre pequenos e médios empresários. “Você tem que diminuir a jornada de trabalho, mas tem que ter uma compensação, porque senão vai gerar uma demissão de funcionários. E é o que nós não queremos”, afirmou.

Segundo o candidato, a discussão deve envolver redução de encargos e tributos para permitir que empresas que precisem ampliar suas equipes consigam absorver o custo. “Eu sou favorável, mas com responsabilidade, com esse debate e com uma compensação na questão dos encargos e tributos, em especial para o pequeno e médio comerciante.”

Emendas com “total transparência”
Curi também foi questionado sobre emendas parlamentares. O candidato afirmou que pretende utilizar os recursos disponíveis aos senadores, mas disse que sua prioridade será direcioná-los a programas estruturados em parceria com o Governo do Paraná. “Eu vou usá-las, claro, mas com total transparência. Quero colocar essas emendas em programas de governo”, afirmou.
Em relação às chamadas emendas secretas, foi mais enfático: “Radicalmente contra. Não há transparência, não há publicidade.”

Na reta final da entrevista, Curi falou sobre a decisão de abandonar o projeto de disputar o Governo do Paraná para concorrer ao Senado. Segundo ele, a mudança ocorreu após conversas com o governador Ratinho Junior e não representa o abandono de uma eventual candidatura futura ao Executivo estadual. “Nenhum projeto político pode ser maior que o Estado do Paraná”, afirmou. “Eu ainda tenho pouca idade, a vida pode me permitir mais para frente disputar o Governo do Estado, mas nós colocamos o Paraná em primeiro lugar.”

Ao encerrar a sabatina, Curi voltou ao argumento que percorreu a entrevista: a tentativa de combinar posições sobre temas nacionais com uma atuação concentrada nas demandas do Estado. “O Estado do Paraná é muito forte, quarta economia do Brasil. Não pode ser um Estado que não tenha senadores que defendam o Estado. Eu vou estar lá para fiscalizar, legislar e defender os interesses do Paraná e dos paranaenses.”
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