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21/09/2026
Alexandre Curi vai levar demandas do cooperativismo paranaense ao debate da reforma tributária
Alexandre Curi vai levar demandas do cooperativismo paranaense ao debate da reforma tributária
Com novas regras de IBS e CBS começando a chegar às empresas, candidato ao Senado afirma que transição exigirá acompanhamento para preservar competitividade do setor
O peso alcançado pelo cooperativismo na economia do Paraná deve se refletir também na representação do Estado em Brasília. Essa é a posição defendida pelo candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos), que pretende colocar o acompanhamento da reforma tributária entre as prioridades do mandato e atuar como interlocutor das cooperativas paranaenses durante a transição para o novo sistema.

O momento é considerado decisivo porque a reforma começa a sair definitivamente do campo das discussões legislativas para entrar na rotina das empresas e cooperativas. Em 2026, teve início a fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A substituição dos atuais tributos será gradual, com conclusão prevista para 2033.

“Um dos primeiros atos é me aprofundar nessa questão da reforma tributária. Nós temos que ouvir as cooperativas, o setor produtivo e o comércio”, afirmou Curi.

Para o candidato, a dimensão do cooperativismo paranaense justifica uma atuação específica da bancada do Estado. O Paraná concentra algumas das maiores cooperativas do país e possui um modelo no qual essas organizações têm papel relevante na produção agropecuária, industrialização, geração de empregos e desenvolvimento econômico dos municípios do interior.

Durante sabatina à TMC, Curi destacou essa presença. “Das dez maiores cooperativas da América Latina, seis estão aqui no Paraná”, afirmou.

Reforma entra na fase prática
Parte das garantias reivindicadas pelo cooperativismo foi incorporada à regulamentação da reforma. A Lei Complementar 214/2025 criou um regime específico para as sociedades cooperativas e estabeleceu, entre outras medidas, a possibilidade de redução a zero das alíquotas de IBS e CBS em determinadas operações previstas pela legislação.

O desafio agora está na aplicação dessas regras.

Neste mês, a Receita Federal abriu o período para que as cooperativas formalizem a opção pelo regime específico. O prazo vai até 31 de outubro de 2026 e a escolha produzirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.

A decisão exige análise porque o novo modelo interfere em diferentes etapas das operações das cooperativas. Entre os temas acompanhados pelo setor estão a apropriação e transferência de créditos tributários, as operações entre cooperativas e associados e o tratamento dado aos negócios realizados com não associados.

Nas cooperativas agropecuárias, a discussão ganha importância adicional pela extensão das cadeias produtivas. Uma mesma produção pode passar pelo cooperado, pela cooperativa, por processos de industrialização e, posteriormente, pela comercialização. A maneira como créditos e débitos de IBS e CBS serão apropriados em cada etapa pode produzir efeitos diferentes conforme a estrutura de cada operação.

A própria regulamentação prevê mecanismos específicos, como a transferência de créditos dos cooperados para as cooperativas. Por outro lado, nem todas as operações estão submetidas ao mesmo tratamento, o que faz com que o setor acompanhe os efeitos concretos do novo modelo.

Ajustes ainda poderão ser necessários
Para Curi, é justamente nessa etapa que a atuação política ganha importância. Embora a estrutura central da reforma já tenha sido aprovada, o período de transição permitirá identificar problemas que não eram necessariamente visíveis durante a elaboração da legislação.

“A primeira conversa que eu tive com as cooperativas e o setor produtivo mostra que nós precisamos aprofundar esse debate”, afirmou.

A proposta de Curi é manter interlocução com cooperativas, produtores, empresas e entidades representativas para identificar eventuais distorções e levar ao Congresso demandas por ajustes na legislação.

Segundo ele, essa atuação deve considerar as características próprias da economia paranaense, especialmente a importância do agronegócio, da agroindústria e do modelo cooperativista.

“Eu vou ser um senador que vota ao lado do setor produtivo e das cooperativas, defendendo elas nessa reforma tributária”, afirmou.

Transição vai atravessar próximo mandato
A reforma tributária deverá permanecer na agenda do Congresso durante praticamente todo o próximo mandato dos senadores eleitos em 2026.

Embora a mudança tenha sido aprovada e regulamentada, a substituição dos tributos antigos pelo IBS e pela CBS ocorrerá progressivamente. Isso significa que empresas, produtores e cooperativas conviverão durante anos com a adaptação de sistemas, novas formas de aproveitamento de créditos e mudanças na tributação das cadeias produtivas.

Curi afirma que pretende acompanhar esse processo a partir das experiências concretas das cooperativas paranaenses.

“Nós temos que ouvir as cooperativas, o setor produtivo, o comércio, para que a gente possa entrar nesse debate”, disse.

Para o candidato, a função da representação paranaense no Senado durante essa etapa será transformar os problemas identificados no dia a dia do setor em propostas de aperfeiçoamento do novo sistema.

Com a reforma começando a produzir efeitos concretos, a discussão deixa de ser apenas sobre quais regras estarão na lei. Para um Estado no qual o cooperativismo tem participação expressiva na economia, passa a ser também sobre como essas regras funcionarão na prática e quais correções poderão ser necessárias ao longo da transição.
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Com novas regras de IBS e CBS começando a chegar às empresas, candidato ao Senado afirma que transição exigirá acompanhamento para preservar
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