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01/09/2026
Alexandre Curi e os municípios: atuação parlamentar já levou R$ 3 bilhões em investimentos para as cidades paranaenses
Alexandre Curi e os municípios: atuação parlamentar já levou R$ 3 bilhões em investimentos para as cidades paranaenses
Ao longo de seus seis mandatos como deputado estadual, Alexandre Curi ajudou a viabilizar quase R$ 3 bilhões em recursos e investimentos relacionados às demandas municipais acompanhadas pelo deputado; em 2022, Curi recebeu votos em 376 das 399 cidades do Paraná
Alexandre Curi começou sua carreira política em Curitiba. Foi eleito vereador da capital aos 21 anos e, dois anos depois, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Mais de duas décadas depois, a geografia de sua atuação é outra.

Prefeitos, vereadores e lideranças municipais passaram a ocupar espaço central em seus mandatos. A relação com as cidades do interior tornou-se uma das principais características de sua atuação política e também apareceu nas urnas: em 2022, quando foi o deputado estadual mais votado do Paraná, Curi recebeu votos em 376 dos 399 municípios do Estado.

Agora, um levantamento de recursos e investimentos acompanhado pelo gabinete ajuda a dimensionar outro lado dessa relação. Atualizado em agosto de 2026, o banco de dados reúne R$ 2,96 bilhões em recursos e investimentos relacionados às demandas municipais acompanhadas pelo parlamentar. Desse montante, R$ 1,13 bilhão aparece como liberado e R$ 1,83 bilhão como pendente.

Os valores não correspondem exclusivamente a emendas parlamentares. O levantamento inclui diferentes modalidades, como recursos a fundo perdido, financiamentos e emendas, executados por secretarias e órgãos do Governo do Estado e, conforme cada programa, pelas próprias prefeituras.

A distinção é importante para entender como funciona o municipalismo na prática. Um deputado não constrói uma estrada municipal, compra uma ambulância ou executa uma obra de pavimentação. Seu papel pode estar na articulação da demanda, na interlocução com o Governo do Estado, na apresentação de emendas, no acompanhamento dos projetos e na defesa política dos investimentos solicitados pelas cidades.

É nesse caminho entre o município e o Estado que Curi construiu boa parte de sua trajetória.

Para entender essa relação, é preciso olhar principalmente para as pequenas e médias cidades.

O Paraná possui 399 municípios, e grande parte deles tem capacidade limitada para financiar grandes investimentos apenas com recursos próprios. Uma nova creche, quilômetros de asfalto, uma ambulância, equipamentos para um hospital ou máquinas para recuperar estradas rurais podem representar despesas difíceis de absorver pelo orçamento municipal.

É comum, por isso, que prefeitos recorram ao Governo do Estado em busca de recursos e programas. Nesse processo, deputados estaduais atuam como interlocutores.

Para isso, cada prefeito indica à Casa Civil até dois parlamentares para serem seus representantes em Curitiba e atuarem junto ao Governo do Estado. Curi, hoje, é o deputado indicado de cerca de 200 municípios.

Uma demanda apresentada por um prefeito, vereador ou entidade pode chegar ao gabinete parlamentar e, a partir dali, ser encaminhada à secretaria responsável. O deputado pode acompanhar a tramitação, buscar a inclusão do município em determinado programa, apresentar emendas quando o mecanismo permitir ou participar da articulação política para viabilizar o investimento.

A análise técnica, a autorização dos recursos e a execução seguem sob responsabilidade dos órgãos públicos competentes. Essa relação ajuda a explicar por que Curi fez da proximidade com prefeitos e vereadores uma característica dos seus sucessivos mandatos.

Quase R$ 3 bilhões no levantamento municipal

Os números do banco de dados mostram que essa atuação envolve diferentes áreas da administração pública. O relatório consolidado registra R$ 2.964.927.542,50 em recursos e investimentos, dos quais R$ 1.133.717.912,75 constam como liberados e R$ 1.831.209.629,75 como pendentes.

A distribuição também revela uma característica importante: os maiores volumes não aparecem necessariamente nas maiores cidades do Paraná.

Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, lidera o levantamento, com aproximadamente R$ 202,5 milhões. Na sequência aparecem municípios do interior como Mangueirinha, com R$ 63 milhões; Pitanga, com R$ 61,5 milhões; Sengés, com R$ 52 milhões; e Cerro Azul, com R$ 45,8 milhões.

Umuarama aparece com R$ 39,6 milhões; Jussara, com R$ 36,2 milhões; Alvorada do Sul, com R$ 34,3 milhões; Matinhos, com R$ 33,3 milhões; e Fênix, com R$ 32,4 milhões.

O banco não significa que Curi tenha destinado pessoalmente todo esse dinheiro. Ele reúne investimentos de naturezas distintas associados às demandas municipais acompanhadas pelo mandato. A liberação e a execução dependem dos órgãos responsáveis. É justamente o detalhamento por cidade que permite enxergar como essa articulação funciona fora das cifras bilionárias.

Pitanga, na região central do Paraná, é um exemplo. O relatório municipal reúne R$ 61.450.172,80 em recursos e investimentos registrados entre 2018 e 2026. A lista atravessa infraestrutura, educação, saúde, segurança, agricultura, esporte e equipamentos públicos. A título de comparação, o Orçamento anual de Pitanga, gira em torno de R$ 200 milhões.

O maior conjunto aparece em 2024, quando foram registrados R$ 28,6 milhões. Entre os investimentos estão R$ 22 milhões para marginais rodoviárias, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística; R$ 4 milhões para asfalto na Avenida Universitária; R$ 1 milhão para pavimentação do Conjunto Santa Rita; R$ 1,35 milhão para três unidades do Meu Campinho; e recursos para quatro escolas estaduais.

Em 2023, o relatório registra outros R$ 15,3 milhões. Há aproximadamente R$ 4,94 milhões para pavimentação das estradas vicinais Linha Cantú e Rio do Meio, R$ 450 mil para um micro-ônibus da saúde, investimentos em escolas e mais de R$ 1 milhão em veículos e equipamentos para o Corpo de Bombeiros. Também aparecem R$ 8,22 milhões em financiamento pela Fomento Paraná.

Há recursos a fundo perdido, emendas individuais, financiamentos e investimentos provenientes de diferentes estruturas do Estado. O que une os registros é o acompanhamento dessas demandas dentro da atuação municipal do parlamentar.

Uma Assembleia trabalhando pelos municípios

Em 2023, essa relação com o interior ganhou uma dimensão institucional.

Naquele ano, quando Curi ocupava a Primeira-Secretaria, a Assembleia Legislativa criou a Assembleia Itinerante.

O programa passou a levar deputados e a estrutura do Legislativo para diferentes regiões do Paraná, aproveitando grandes eventos municipais e regionais para realizar sessões especiais, ouvir entidades e receber reivindicações.

Nas primeiras nove edições, mais de 3 mil sugestões foram apresentadas.

O projeto cresceu nos anos seguintes. Em 2025, já com Curi na Presidência da Assembleia, foram realizadas 21 edições somente naquele ano.

Ao fim de 2025, a Assembleia Itinerante acumulava 36 edições e aproximadamente 7,5 mil demandas recebidas desde sua criação.

Os pedidos abrangem rodovias, hospitais, escolas, segurança pública, habitação, saneamento, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico.

A Assembleia não tem competência para executar boa parte dessas demandas. O papel do programa é recebê-las, formalizá-las e encaminhá-las aos órgãos responsáveis.

Na prática, a iniciativa levou para dentro da instituição uma dinâmica que Curi já havia adotado em sua atuação parlamentar: ouvir as cidades e funcionar como ponte entre demandas locais e estruturas estaduais.

Economia da Assembleia também chegou às cidades
A passagem de Curi pela administração da Assembleia abriu outra frente de relação com os municípios.

Em 2023, quando era primeiro-secretário, o Legislativo devolveu R$ 394,5 milhões de seu orçamento ao Executivo. Parte dos recursos foi posteriormente destinada pelo Governo do Estado a programas municipais, entre eles o Asfalto Novo, Vida Nova.

Em 2024, a devolução chegou a R$ 432 milhões.

Já em 2025, primeiro ano de Curi como presidente da Assembleia, a Casa informou ter alcançado R$ 620 milhões em economia e devolução, acima da meta de R$ 500 milhões anunciada para o período.

Parte desses recursos foi direcionada pelo Executivo a iniciativas que chegam aos municípios, como pavimentação, construção de creches e investimentos em outras áreas.

Mais uma vez, há responsabilidades diferentes: a Assembleia economiza e devolve; o Governo do Estado define a aplicação e executa os programas.

A relação mostra, porém, como o municipalismo também passou a influenciar decisões administrativas adotadas pelo Legislativo.

Dos 399 municípios para Brasília

A candidatura ao Senado muda a escala dessa trajetória.

Como deputado estadual, Curi construiu sua atuação na ligação entre municípios, Assembleia e Governo do Paraná. No Senado, a relação passa a envolver também ministérios, orçamento federal, transferências da União e políticas nacionais com impacto direto sobre as prefeituras.

É essa experiência que Curi procura apresentar como uma das credenciais para a eleição de 2026.

A mudança também impõe um desafio político diferente.

Para conquistar uma cadeira na Assembleia, um candidato pode concentrar sua votação em determinadas regiões. Na eleição para o Senado, o Estado inteiro é um único distrito eleitoral e são necessários votos em escala muito maior.

Nesse aspecto, 2022 oferece uma fotografia do ponto de partida: antes de entrar em uma disputa majoritária, Curi já havia recebido votos em 376 das 399 cidades do Paraná.

O levantamento de investimentos acrescenta outra dimensão a esse mapa. São quase R$ 3 bilhões registrados em demandas municipais acompanhadas pelo mandato, distribuídos entre obras, equipamentos, serviços e programas de diferentes áreas.

Os números gerais, porém, contam apenas uma parte da história.

Por trás deles estão centenas de projetos locais, como os registrados em Pitanga: uma estrada rural, uma escola que precisa de reforma, uma ambulância, equipamentos para os bombeiros ou algumas quadras de pavimentação.

Em cidades menores, investimentos assim podem ter um peso que o valor isolado não revela.
É por isso que a trajetória municipalista de Alexandre Curi pode ser contada de duas maneiras: olhando o mapa inteiro do Paraná ou aproximando a lente sobre cada uma de suas cidades.

São 399 histórias locais que, juntas, ajudam a explicar como um político que começou a carreira em Curitiba transformou os municípios no centro de sua atuação estadual e, agora, tenta levar essa relação para Brasília.
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